Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
Brasil

Janot diz que já pensou em matar Gilmar Mendes e depois se suicidar

Ex- PGR disse que foi a mão de Deus que não deixou ele concretizar o homicídio

Publicada em 27/09/19 às 13:33h - 351 visualizações

por Rádio Ativa Naviraí


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"Não ia ser ameaça não, ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele (Gilmar) e depois me suicidar", afirmou Janot -  (Foto: Reprodução)
O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot deu uma declaração polêmica ontem (26) sobre o momento mais tenso de sua passagem pelo cargo. Ele declarou a imprensa, que já chegou a ir armado para uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) com a intenção de atirar no ministro Gilmar Mendes. "Não ia ser ameaça não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele (Gilmar) e depois me suicidar", afirmou Janot. A ação só não foi concluída, segundo o ex-PGR porque foi a "mão de Deus" que interviu. As informações são do Estadão Conteúdo.

Em maio de 2017, Janot, na condição de chefe do Ministério Público Federal, pediu o impedimento de Mendes na análise de um habeas corpus de Eike Batista, com o argumento de que a mulher do ministro, Guiomar Mendes, atuava no escritório Sérgio Bermudes, que advogava para o empresário.

Ao se defender em ofício à então presidente do STF, Gilmar Mendes afirmou que a filha de Janot - Letícia Ladeira Monteiro de Barros - advogava para a empreiteira OAS em processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo o ministro, a filha do ex-PGR poderia na época "ser credora por honorários advocatícios de pessoas jurídicas envolvidas na Lava Jato".

"Foi logo depois que eu apresentei a sessão (...) de suspeição dele no caso do Eike. Aí ele inventou uma história que a minha filha advogava na parte penal para uma empresa da Lava Jato. Minha filha nunca advogou na área penal... e aí eu saí do sério", afirmou o ex-procurador-geral.

'Mão de Deus'

Janot disse que foi ao Supremo armado, antes da sessão, e encontrou Gilmar Mendes na antessala do cafezinho da Corte. "Ele estava sozinho", disse. "Mas foi a mão de Deus. Foi a mão de Deus", repetiu o procurador ao justificar por que não concretizou a intenção. "Cheguei a entrar no Supremo (com essa intenção)", relatou. "Ele estava na sala, na entrada da sala de sessão. Eu vi, olhei, e aí veio uma 'mão' mesmo".

O ex-procurador-geral disse que estava se sentindo mal e pediu para o vice-procurador-geral da República o substituir na sessão do Supremo. A cena descrita acima não está narrada em detalhes no livro Nada menos que tudo (Editora Planeta), no qual relata sua atuação no comando da Operação Lava Jato. Janot alega que narrou a cena, mas "sem dar nome aos bois".

O ex-procurador-geral da República diz que sua relação com Gilmar Mendes já não era boa até esse episódio, mas depois cortou contatos. "Eu sou um sujeito que não se incomoda de apanhar. Pode me bater à vontade... Eu tenho uma filha, se você for pai..."

Procurado, Gilmar Mendes não havia se pronunciado até a publicação desta matéria.

Correio do Estado



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